terça-feira, 30 de novembro de 2010

Agnóstico

Quando me perguntam o que sou quando o assunto é religião, “Agnóstico” é o que respondo nos dias de hoje. Há algum tempo dizia que era Católico, não digo mais.
Fui criado numa família católica: fui batizado, recebi padrinhos, freqüentei o catecismo, fiz a primeira comunhão, fui a muitas missas, procissões e outros eventos relacionados. Respeito e admiro muito o Cristianismo e as outras religiões. Gosto de ler a Bíblia e de estudar a história do Cristianismo. Há alguns meses até comprei um livro sobre este assunto; ainda não terminei de ler, mas pretendo.
Ser agnóstico é estar numa espécie de limbo (que ironia, não?) das crenças religiosas e optei por me afirmar assim porque tenho aversão aos fundamentalistas religiosos, e mesmo os mais moderados, quando tentam “me doutrinar”, não me convencem ou me decepcionam.
Embora, como disse, admire e respeite as religiões, não sou cego a ponto de não perceber que elas não devem ser tratadas como verdades universais. Digo isso por razões óbvias (para alguns, não tão óbvias) e acho que nem devo parar para exemplificar aqui com preceitos e fragmentos sob risco de acabar sendo desrespeitoso.
O fato é que as religiões têm um lado opressor muito forte, basta observarmos como vivem as mulheres em países islâmicos, as opiniões do Papa sobre camisinha e homossexualidade ou mesmo a proibição de se estudar o evolucionismo nas escolas de alguns estados dos EUA com fortes valores “puritanos”.
Do lado oposto estão os ateus. Não gosto deles também: são sempre arrogantes, cheios de si. Muitas vezes sinto que afirmam não crer em Deus só para desafiar o senso comum (cada vez mais senso incomum), para parecerem superiores aos que crêem, insinuando que estes são irracionais, burros ou vivem na Idade Média. Alguns poucos, como eu, parecem sempre estar decepcionados com alguma coisa.
A ser um ou outro, preferi, portanto, ser agnóstico, porque além de não simpatizar com nenhum dos dois grupos citados, minha opinião pessoal é a de que tenho dúvidas, muitas dúvidas sobre tudo. Quando criança, me esforçava para acreditar piamente no que era ensinado no catecismo, acho que até sofri um pouco por não conseguir. Hoje desisti, fico oscilando entre fases de um pouco de crença, certa espiritualidade, e fases de ceticismo.
As histórias contadas por pessoas que querem “doutrinar” os outros só fazem com que eu me afaste mais. Há algum tempo vi circular pela internet uma dessas histórias. Falava sobre um grupo de jovens que iria curtir uma farra e lotava o carro que iria levá-los até um determinado lugar onde aconteceria uma festa. Ao saírem, uma das mães dos jovens deseja que Deus vá com eles, no que um membro do grupo responde que o veículo está muito cheio e que Deus só caberia no porta-malas. Desfecho: acontece um acidente e todos morrem. Detalhe: havia garrafas de vidro no porta-malas que ficaram intactas!
Sobre essa história, muitas vezes enviada por e-mail como spam ou corrente, há diversas variações: ora eram garrafas de vidro, ora uma bandeja ovos. Ora eram levadas no porta-malas, ora no porta-luvas! Cheguei a ouvir um jovem contando uma dessas versões com entusiasmo num ônibus que peguei um dia desses.
Versões que não se cruzam à parte, me pergunto se Deus, caso ele exista nos moldes pregados pela religião cristã, é assim tão irônico. Nessa história ele parece mais irônico que um ateu! Será que Deus é assim tão vingativo e mesquinho? É uma pena que as pessoas que acreditam piamente n’Ele atribuam ao mesmo valores dignos do pior humano da terra. Chega a parecer mesmo que, infelizmente, a humanidade criou Deus a sua própria imagem e semelhança.
Porém, não condeno totalmente a religião. Há uma parte dela que traz esperança aos oprimidos. Quando eu morava no interior, via como era incrível a fé do povo e confesso que me emocionei várias vezes nas missas na hora da “Paz de Cristo”. É emocionante também assistir às cenas do julgamento de João Grilo no Auto da Compadecida. Como a minha gente do interior, João contou somente com a ajuda de Deus.
            Diria que há quase um ano tive uma experiência “sem explicação” (por que não dizer religiosa?). Não sei, fico na dúvida mesmo. Quem sabe um dia tudo se esclareça?

sábado, 27 de novembro de 2010

O Pequeno Príncipe

Esses dias li “O Pequeno Príncipe”. Li o livro todo de “uma só sentada”. Muito bom, considero a obra excelente.
Muitos podem achar que é um livro infantil. Os que pensam tal coisa certamente não leram. O autor transmite sensibilidade a todo instante e chega a ser, em minha opinião, bastante profundo em determinados momentos.
Ao terminar, adicionei a comunidade do livro no Orkut; pelo número de participantes vejo que muita gente gostou dele também. Acho que todo esse sucesso se deve ao fato de o autor trazer à nossa lembrança princípios fundamentais que parecem ter sido aprendidos (e esquecidos) numa infância remota, quase numa vida passada.
Eis os trechos do livro que estão na comunidade:
“O essencial é invisível aos olhos”;
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”;
"O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo”.



terça-feira, 23 de novembro de 2010

Filme Antigo

Hoje assisti ao filme “A Felicidade Não Se Compra” do diretor Frank Capra e percebi o quanto é raro encontrar pessoas no mundo tão bondosas quanto os protagonistas desse filme. Me perguntei, ao ver aquelas cenas, se o ser humano é essencialmente bom ou mau.
Os questionamentos sobre esse tema são antigos, mas notei há algum tempo que eles estão nas entrelinhas de diversos assuntos importantes. Muitos filósofos, ao defenderem um ou outro ponto de vista, parecem ter dado embasamento para o surgimento de vários “ismos” que enchem a pauta das discussões ainda nos dias de hoje.
“O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe” nos diz Rousseau, já Thomas Hobbes nos diz que “o homem é o lobo do homem”, outros filósofos dão suas opiniões... Hoje percebo esses pensamentos principalmente nos discursos de políticos a favor do social e a favor do neoliberalismo respectivamente, já que o conflito Capitalismo vs Socialismo se perdeu no século XX e isso foi o que nos restou. Capra deve ter percebido também: colocou um capitalista como vilão do filme!
Filosofadas e filósofos à parte, me pergunto se só há bondade por parte da mãe da gente e nos filmes... Me esforço a acreditar que não, mas a todo momento o mundo parece mostrar o contrário.
Lembrei das palavras de uma sábia professora: ela disse que a maldade e a bondade são como dois cães que vivem a brigar dentro de todos nós, e ganha aquele que for mais bem alimentado.