No post anterior eu voei pela primeira vez. E adivinhe pra onde? São Paulo!
Gosto muito de viajar, mas nunca viajo, pelo menos não pra tão longe. Até então o mais distante que havia viajado tinha sido pra João Pessoa e pra Canindé no Ceará. E olhe só onde eu fui parar desta vez... Um prêmio depois de sacrificar minhas férias com estágios.
Imagine só, pra quem já morou em Marcelino Vieira, uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte, conhecer São Paulo, uma das maiores cidades do mundo e maior do Brasil. A paisagem é um pouco diferente.
São Paulo sempre traz uma enxurrada de significados à minha mente. Na escola aprendi sobre sua importância econômica. No nordeste, São Paulo ainda hoje é destino para aqueles que sonham em melhorar de vida. Esse movimento tem diminuído muito nos últimos anos, mas o peso da imagem de pessoas saindo daqui em péssimas condições permanece no imaginário popular, na cultura e até nas artes. O peso do choro da minha vizinha pela partida de sua filha rumo a Diadema numa viagem de ônibus que dura cerca de três dias permanece na minha memória.
São Paulo às vezes é sinônimo de stress, violência urbana e trânsito caótico. Assim nos mostra a televisão. Ela também mostra que, para muitos nordestinos, o futuro conseguido nada tem a ver com aquele sonhado por esta gente tão ingênua.
Essa vinda em massa de nordestinos pra São Paulo parece gerar um pouco de pânico nos paulistanos (até certo ponto compreensível). A cantora Rita Lee disse uma vez num show aqui em Natal: “Fiquem aqui, São Paulo não tem mais futuro pra vocês!” (foi algo do tipo). É uma pena que o comportamento de alguns dos nossos compatriotas não se restrinja às sensatas advertências de Rita: recentemente a mídia tem noticiado violência contra nordestinos.
São Paulo também é lar de artistas que adentram nossas casas todos os dias e nos fazem sonhar. Já pensou topar com Sílvio Santos? São Paulo é berço do Brasil independente, é cidade que luta por constituições, é palco de mudanças políticas e revoluções culturais e como bem diz seu lema, não é conduzida, conduz.
A viagem foi assim: saímos daqui às 2h da manhã no avião. Eu, claro, fui olhando pela janela até ficar com dor no pescoço. Depois de um certo tempo, fiquei imaginando que região estaríamos sobrevoando. Seria algum lugar na Paraíba? Fomos então avisados pelo piloto que já estávamos na Bahia! Era isso. Tinha chegado mais longe do que nunca.
Quase de manhã, vi pela janela aquele mar de construções. Ia até o horizonte, não tinha fim. Como é que 20 milhões de pessoas resolvem, de uma hora pra outra, morar num único lugar do planeta? Se as Cataratas do Iguaçu fossem próximas a São Paulo, diria que a cidade teria sido um plano (mal sucedido) de algum comunista norte americano.
Pousamos, estávamos lá. O aeroporto era enorme e tinha gente do mundo todo. Pegamos um taxi. No caminho já deu pra sentir o clima mais ameno. Se fosse em Natal, mesmo de manhã, já estaríamos suando e nos abanando. Em todo lugar eram fábricas, condomínios e prédios e prédios e mais prédios. Em alguns pontos, como próximo à serra da Cantareira, ainda dava pra ver uma Mata Atlântica muito exuberante.
Visitamos vários lugares. Fomos à Av. Paulista, coração financeiro do Brasil. É como se todos os olhos deste país estivessem voltados para aquela única avenida. Há pessoas engravatadas para todos os lados e grandes edifícios também. No meio disso tudo, uma casa antiga, imagino que do início do século, resiste para nos contar histórias de ricos cafeicultores de tempos passados.
E tem o MASP. Talvez a melhor parte da viagem tenha sido visitar esse museu. Vi obras belíssimas de artistas famosos que só conhecia por causa dos livros. Quando a gente vê alguma coisa num livro ou na televisão, não sei, parece que não é o nosso mundo.
Ah, e tem a Livraria Cultura que parece ter sido tirada do desenho da Bela e a Fera. Um paraíso pra quem gosta de ler.
Fomos ao mercado municipal, passamos pela Estação da Luz, por cruzamentos antes só ouvidos nas músicas de Caetano e vimos o belíssimo teatro municipal. Fiquei imaginando como teria sido assistir à semana de 22 ali com todos aqueles artistas.
E fomos ao Parque do Ibirapuera admirar o Monumento às Bandeiras. Sou suspeito pra falar, adoro história.
Fomos muito bem tratados enquanto estivemos na cidade, o povo paulistano se mostrou muito acolhedor. Fiquei surpreso, achei que quando ouvissem nossa fala arrastada, nos tratariam com desprezo.
Não vi nada de trânsito caótico, acho que por sorte. O que notei de ruim: muitos mendigos. Mas guardadas as devidas proporções, igual a toda grande cidade. Observei também muitas pichações e, só no último dia, percebi a poluição no rio Pinheiros além de alguns usuários de droga caminhando em grupo pelas ruas.
Acho que adorei São Paulo, espero um dia poder voltar.

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