domingo, 12 de junho de 2011

FESTA DE JUNHO

Mainha voltou hoje de Marcelino Vieira e trouxe de volta minha inspiração. Faz tempo que não me animava em escrever, acho que ela andava meio perdida pelo meu interior (minha inspiração, não minha mãe!). Minha mãe sempre viveu e vive no interior, embora more aqui em Natal comigo. Já eu não. Me mudei de mala e cuia no final do ano 2000, o ano do fim do mundo, como muitos diziam.
Como se sabe, mais uma vez o mundo não acabou. Mas talvez tenha acabado o meu mundo antigo sim. E o meu mundo antigo não é Alexandria, onde moram muitos parentes e só fiz nascer, é Marcelino Vieira.
Marcelino Vieira, pra quem não conhece, é uma cidadezinha do alto oeste potiguar. E o melhor dessa cidade é, sem dúvida, a festa do padroeiro Santo Antônio no mês de junho. A propósito, o famoso Jegue Folia teve origem no “Quatorzão”, último dia da festa. Ela era aguardada o ano inteiro por nós. Juntava dinheiro num cofrinho pra gastar no parque de diversão que sempre vinha nessa época.
A festa acontece justamente num mês em que as chuvas ainda são comuns e tudo ainda está verde. A cor verde é sempre a mesma, no litoral ou no interior. Mas o verde do interior é como o filho pródigo: por não estar presente todos os dias, é mais aguardado e quando chega, é recebido com alegria.
Diego e eu contávamos os dias pra chegada do parque e, quando chegava, não nos contentávamos em esperar, passávamos o dia na praça observando a montagem dos brinquedos e o surgimento daquele sonho. Era roda gigante, carrossel, as canoas, os aviões e a sombrinha, esta última proibida pra gente porque mainha considerava muito perigoso o jeito como as pessoas brincavam de se empurrar nela.
Toda a população se preparava para a festa. Mesmo as pessoas mais humildes juntavam dinheiro para vestir as melhores roupas nessa época. Os vieirenses que moravam em outras cidades também economizavam para viajar até Marcelino Vieira. A cidade ficava lotada de gente e se enfeitava toda para recebê-los.
Todo dia íamos à novena. O melhor mesmo pra mim não era a novena, era a queima de fogos ao som da banda de música. Eu odiava os fogos que só faziam barulho, tapava o ouvido. Lindo mesmo eram as estrelinhas brancas e coloridas. Ah, e a roda de fogo, e o telegrama e o ponto alto: o balão. Hoje sei que é errado, mas que era lindo era.
Depois da novena íamos pra “rua”. A “rua” é a praça do centro e imediações. Lá era melhor ainda, o parque de diversões ficava lá. Além de fazer muitos calos nas mãos de tanto puxar a corda das “canoas” e de rodar na roda gigante até enjoar (menos na amaldiçoada cadeira número 13, né Diego?), bebia muito refrigerante no Bar do Zé no famoso Calçadão, comia algodão doce, pipoca, tomava sorvetes de 25 centavos (corria um boato que eram feitos com água suja, mas ninguém ligava). Ah, eu também adorava jogar videogame nas “games”, um tipo primitivo de lan house muito comum no interior.
Além de tudo isso, eram famosas as festas no mercado e as que aconteciam no meio da rua. Dia 10 era a “Festa do Povão” de graça na rua, dia 11 era a Banda Grafith no mercado e a melhor e mais aguardada, a do dia 12, sempre lotava. Tinha também leilões, inúmeras “farras” espalhadas pela cidade e as barraquinhas que vendiam bugigangas adoráveis. Vale lembrar que muitas dessas festas só acabavam com o raiar do dia na famosa “alvorada” ao som da banda de música.
Dia 13, a tristeza já era geral porque se aproximava o final da festa. À tarde, ficávamos a observar a enorme procissão de fieis muitas vezes aos prantos, se despedindo e já sonhando com um próximo encontro que só iria voltar a ocorrer no ano seguinte.
E pra encerrar, no dia 14 acontecia o Quatorzão, uma espécie de carnaval fora de época que reunia os diversos blocos e grupos de amigos. Um desses blocos originou o Jegue Folia.




Marcelino Viera, minha cidade, muitas saudades de você.

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